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Cores do Ano Novo e o significado de cada uma, do branco ao roxo

07/11/2026 · 10 min de leitura · Eternal Gift

Duas mãos segurando estrelinhas acesas no fim de tarde

Dia 30 de dezembro, fim de tarde, loja de departamento. A arara de cuecas e calcinhas amarelas está pela metade, alguém no provador pergunta se verde-limão conta como verde, e no grupo da família sua tia acabou de avisar que este ano vai de azul.

No costume brasileiro, cada cor da virada carrega um pedido: branco para paz, amarelo para dinheiro, vermelho para amor e paixão, verde para esperança ou dinheiro, azul para tranquilidade, rosa para um romance mais calmo, roxo para fé e espiritualidade, laranja para alegria. É tradição, não efeito: ninguém mediu se a cueca amarela paga boleto. Mas saber de onde vem cada cor deixa a escolha mais divertida, e algumas histórias são melhores que a promessa.

O que o costume brasileiro diz de cada cor da virada
CorO pedido que costuma acompanharObservação
BrancoPaz, harmonia, recomeçoVem das religiões de matriz africana
AmareloDinheiro, alegriaTambém na roupa de baixo
VermelhoAmor, paixão, coragemNa Itália, é a cor da noite
VerdeEsperança ou dinheiroAs listas não concordam
AzulCalma, serenidade, confiançaPara quem não quer branco
RosaRomance mais carinhosoUm vermelho com menos pressa
RoxoFé, espiritualidadeIntrospecção
LaranjaAlegria, vida socialPara quem quer conhecer gente

Por que o Brasil passa o Ano Novo de branco

O branco da virada tem endereço: a praia. Segundo uma reportagem da BBC News Brasil, usar roupa branca no Réveillon se tornou comum no país na década de 1970, quando membros do candomblé passaram a fazer suas oferendas na praia de Copacabana. Quem passava, via o ritual e achou bonito o branco, foi adotando a roupa.

A Agência Brasil, com base no babalawô e doutor em História Comparada Ivanir dos Santos, liga os costumes da praia ao culto a Iemanjá, a orixá do mar e do recomeço, e atribui a ligação entre Iemanjá e o Réveillon a um pai de santo que fundou uma federação umbandista nos anos 1950. As flores jogadas no mar, principalmente palmas, são oferenda para ela, e pular as sete ondas é um gesto para abrir caminhos diante das dificuldades do ano. O branco, diz a reportagem, também vem desses religiosos: na umbanda é uma das cores de Iemanjá; no candomblé, homenageia Oxalá. Datas e detalhes mudam conforme quem conta. A raiz nas religiões de matriz africana, não.

Ao Correio Braziliense, o professor Alan Oliveira, da Universidade Católica de Brasília, confirmou que o branco é a cor de Oxalá, e um líder de candomblé de Ceilândia lembrou que Oxalá é o pai maior nas religiões de matriz africana. Ou seja: a festa mais democrática do calendário brasileiro veste, quase sem perceber, a cor de uma liturgia afro-brasileira.

Quem veste branco na virada está, saiba ou não, usando a cor de quem leva flores para Iemanjá.

Amarelo, vermelho, verde e azul: as listas não concordam

Fora o branco, o significado de cada cor muda conforme quem explica: uma astróloga, uma teoria das cores, a escolha de cada um. Duas reportagens de jornais brasileiros mostram bem:

  • No Correio Braziliense, uma astróloga recomenda o amarelo para quem quer dinheiro e o vermelho intenso para quem quer atrair amor. Na mesma matéria, uma estudante conta que já passou a virada de verde, pela esperança, e que escolheu o azul pela serenidade.
  • No NSC Total, o amarelo é alegria e pode atrair dinheiro, mas o verde vira a cor ideal para quem almeja dinheiro. O roxo é fé e espiritualidade, o rosa é romance mais carinhoso que o do vermelho, o laranja é alegria e vida social, e o preto é tratado como polêmico em algumas religiões e culturas.

O verde é o melhor exemplo: esperança para uma, dinheiro para a outra. Não existe tabela oficial. Se você vai de verde, escolha o pedido que fizer mais sentido para o seu ano.

A roupa de baixo amarela, vermelha ou rosa na América Latina

O amarelo por baixo da roupa não é só brasileiro. Uma reportagem da agência AFP conta que no México, no Peru e no Equador se usa roupa íntima amarela para atrair prosperidade, e que se o pedido é amor, ela tem de ser vermelha. No Chile, a tradição diz que a peça amarela da virada deve ser um presente. No Uruguai, na Argentina e, segundo a mesma reportagem, também no Brasil, o costume é começar o ano com uma peça rosa por baixo da roupa.

A AFP ouviu ainda o escritor Héctor Velis-Meza, autor de um livro sobre a história secreta do Natal e do Ano Novo: o amarelo costuma ser associado ao azar, mas na virada faz referência ao sol, que representa a eternidade.

A mesma reportagem lista outros rituais da região: comer lentilhas, e dar uma volta curta à meia-noite com uma mala na mão, para quem quer viajar no ano novo.

O vermelho na Itália e na Espanha

Na Itália, o vermelho é a cor da noite. O portal oficial de turismo italia.it abre a página sobre as tradições do Capodanno assim: vermelho, sem dúvida, é a cor das festas na Itália, e vestir vermelho dá sorte, pelo menos é o que se diz. Na roupa íntima vermelha, há quem a vista do avesso e a desvire depois da meia-noite, e há quem a jogue fora. Na mesma página aparecem as lentilhas, que os romanos davam de presente numa bolsinha, com o desejo de que virassem moedas nos meses seguintes.

Na Espanha, a roupa íntima vermelha também é costume. Uma reportagem que cita a agência EFE diz que a peça deve ser nova e, de preferência, um presente, e conta uma versão de origem que circula por lá: na Idade Média o vermelho teria sido proibido por associação com bruxaria, e quem o usava escondido o transformava em amuleto. É uma explicação popular, não um fato histórico documentado na reportagem.

As 12 uvas, que não são cor mas vieram junto

Quem passa a virada com espanhóis aprende rápido: em vez de cor, conta-se uva. O site oficial de turismo da Espanha descreve o costume na Puerta del Sol, em Madri: comer as 12 uvas da sorte ao som das badaladas do relógio, para ter 12 meses de prosperidade.

A origem tem duas versões. Segundo o Infobae, uma diz que madrilenhos, em 1882, começaram a comer uvas para zombar do costume burguês de comer uvas com champanhe na ceia. A outra fala de uma grande colheita em 1909, vendida como uvas da sorte em pacotes de doze. Os jornais de 1882 já mencionavam o costume, então 1909 pode ter sido só um empurrão. Hoje, segundo a mesma reportagem, perto de 66% das uvas comidas no Réveillon espanhol vêm da comarca do Vinalopó, em Alicante.

O costume viajou: o italia.it chama o rito das doze uvas de antigo rito espanhol e conta que ele se espalhou por Nápoles e pelo sul da Itália na época da dominação espanhola.

E as bolinhas das Filipinas

Nas Filipinas, a forma conta mais que a cor. Segundo o Gulf News, as bolinhas na roupa representam dinheiro e fortuna, porque redondo lembra moeda. Na mesa, frutas redondas, 12, 13 ou 14, dependendo da família. À meia-noite, enche-se o bolso de moedas e chacoalha-se. E as crianças pulam o mais alto que conseguem quando o relógio bate doze, porque os mais velhos dizem que ajuda a crescer.

Se quiser mais costumes de outros países, desta vez sobre presentes, veja tradições de presente pelo mundo.

Qual cor usar no Ano Novo, então

A que combina com o pedido que você tem de verdade para o ano que vem. Se é paz, o branco tem a história mais bonita. Se é dinheiro, amarelo. Se é amor, vermelho, ou rosa se a ideia é ir com calma. E se você não acredita em nada disso, use a cor que ficar boa na foto: é ela que vai sobrar daqui a dez anos.

A foto, aliás, é o que a virada deixa. A família inteira de branco na areia, o casal de amarelo na varanda, a mesa com lentilha. Quem quer transformar essas fotos numa mensagem para alguém tem textos prontos em mensagem de Ano Novo para quem você ama e um método para escolher as melhores em retrospectiva do ano em fotos.

E se elas merecem mais que um álbum perdido no celular, a Eternal Gift junta tudo numa página: você monta online, com as fotos da virada e do ano, uma mensagem ou carta, a música da noite do YouTube e adesivos, e entrega por link ou QR code.

Dúvidas sobre as cores da virada

Fontes